2 – O Golem (1920)


Der Golem, wie er in die Welt kam / The Golem


1920 / Alemanha / P&B / Mudo / 85 min / Direção: Paul Wegener, Carl Boese / Roteiro: Paul Wegener, Henrik Galeen / Produção: Paul Davidson / Elenco: Paul Wegener, Albert Steinrück, Ernst Deutsch, Lyda Salmonova


 

O Golem é considerado uma das obras primas do expressionismo alemão. Sim, um filme feito na Alemanha, por judeus, todo centrado em uma temática judia, apenas alguns anos antes do regime nazista colocar em prática seu programa de extermínio no país. E um detalhe curioso, é que tanto no filme, quanto na narrativa clássica do escritor austríaco Gustav Meyrink, que inspirou o longa, o Golem é trazido à vida justamente para ajudar o povo judeu contra um regime antissemita.

Bom, delongas a parte, o Golem é um ser da mitologia judaica, feito de material inanimado, que pode ser trazido à vida através de magia. E o filme de Paul Wegener, interpretando também o papel do monstro, conta a história de um proeminente rabino no século XVI, em Praga, que usando de feitiçaria, dá vida a uma criatura feita de barro, para proteger sua gente da perseguição.

Mas o rabino que não é bobo nem nada, começa a usar o Golem como leão de chácara e também para trabalhos braçais, como quebrar pedra ou pegar água do poço. O caldo entorna quando o ajudante do rabino, apaixonado por sua filha, Miriam, que por sua vez arrasta a asa para Florian, o mensageiro do imperador, motivado por ciúmes, utiliza a criatura para atacar o pobre rapaz, fazendo com que o Golem fique fora de controle, causando um rastro de destruição e morte. A trama se desenrola até a clássica cena da menina entregando uma flor para o monstro, sendo derrotado por sua própria humanidade vindo à tona.

Golem nada mais é que um boneco Playmobil judeu gigante, feito de lama

O filme é uma BAITA produção para o começo do século passado, com direito a cenários diversos e figurinos extravagantes, e até uma boa dose de efeitos especiais. Chama a atenção a impressionante cena da conjuração, com direito à pirotecnia, fumaça, trovões e a assustadora aparição (para a década de 20) da entidade Astaroth, responsável por ditar ao rabino a palavra mágica que faria o Golem despertar. Acredito que as pessoas devem ter ficado arrepiadas na época.

Algo legal para se reparar é a brutal diferença em relação ao O Gabinete do Dr. Caligari do mesmo ano, por exemplo, muito mais modesto, por assim dizer, porém mais dinâmico e soturno. Enquanto um filme trabalha o lado da psique e da ciência, O Golem tem aspectos voltados para o sobrenatural, a magia e a religião. Tirando isso, o filme é mais um clássico do gênero fantástico em si do que um filme de terror propriamente dito, mas vale o registro. Ao meu ver, o que peca um pouco é o ritmo bem arrastado do longa em seus 85 min, metragem grande para a época.

Uma curiosidade é que o personagem já foi vítima de um episódio da Casa da Árvore dos Horrores na décima oitava temporada de Os Simpsons, quando o Bart utiliza o Golem, roubado do Krusty, que é um palhaço judeu, para fazer suas travessuras. Dá para assistir o episódio todo aqui.

D’oh!

 

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