5 – Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror (1922)


Nosferatu, eine Symphonie des Grauens / Nosferatu, a Symphony of Horror



1922 / Alemanha / P&B / Mudo / 94 min / Direção: F.W. Murnau / Roteiro: Henrik Galeen / Produção: Enrico Dieckman, Albin Grau / Elenco: Max Schreck / Greta Schröeder / Gustav V. Wangenheim


 

Sabe aquele carinha que você conhece, que diz que curte vampiros e gosta da Saga Crepúsculo e Vampire Diaries? Ele já assistiu Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror? Não? Então desconfie.

O filme de F.W. Murnau, marco do expressionismo alemão, foi o primeiro a levar às telas a figura do vampiro, o monstro mais clássico e conhecido do cinema. E esqueça o aristocrata, ou o galã que atravessa oceanos de tempo para reencontrar sua amada, ou até mesmo o afeminado que brilha no sol e se alimenta de animaizinhos da floresta. Nosferatu é a encarnação do sanguessuga asqueroso, repulsivo e vil, bem como imaginado por Bram Stoker quando escreveu seu livro clássico, Drácula. Que aliás, é a fonte de inspiração do filme.

Não sei se você conhece essa história, mas originalmente o filme era para ser uma adaptação do livro de Stoker, porém sua esposa unha-de-fome não cedeu os direitos do personagem, fazendo com que o famoso Conde Drácula fosse chamado de Conde Orlok, e todos os demais personagens, desde John Harker ao caçador Abraham Van Helsing, tivessem seus nomes trocados. E como se não bastasse, Murnau foi processado por violação de direitos autorais e a justiça determinou que todas as cópias do filme fossem destruídas. Você já imaginou que um dos maiores patrimônios cinematográficos de todos os tempos pudesse não ter nenhum registro e ter se perdido no tempo? Por sorte algumas cópias foram guardadas e assim que a Sra. Stoker bateu as botas, voltaram a circular e o filme transformou-se no clássico cultuado que ele é hoje.

“Sou feio, mas não tenho a pele de diamante que brilha na luz do sol”. Orlok, Conde.

Nosferatu traz a conhecida história de Hutter, um corretor de imóveis que vai até a Trânsilvania, cidade romena à sombra dos Montes Cárpatos (cidade essa próxima de onde minha falecida avó nasceu, Bucareste), vender uma propriedade para o conde Orlok em Wisbourg (originalmente, Londres), que é na verdade um temível vampiro que o toma como prisioneiro. Atraído por Ellen, a jovem e bela noiva de Hutter, Orlok vai até Wisbourg espalhar a morte e o medo entre os habitantes, e saciar sua sede por sangue.

Apesar de datado, Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror ainda impressiona em algumas cenas, principalmente do movimento das sombras da criatura e dele se levantando do caixão, e foi o responsável por criar toda uma estética gótica e sombria que seria usada nos filmes de terror na posteridade. E mesmo com o vampiro sendo derrotado de forma xucra, o final do filme é trágico, o que foge dos padrões convencionais.

Merece um parágrafo a parte a estupenda interpretação de Max Schreck como o conde. Existe uma lenda urbana de que Schreck aparecia somente para fazer suas tomadas vestido como o personagem e só queria fazer as filmagens à noite. Bizarro, não é? Existe até um filme bem legal sobre a produção de Nosferatu, que se chama A Sombra do Vampiro, trazendo John Malkovich como Murnau e Willem Dafoe (espetacular, diga-se de passagem), como Schreck e suas esquisitices. Dafoe até foi indicado ao Oscar pelo papel. Vale conferir também.

Para finalizar o post, Nosferatu ganhou uma refilmagem em 1979, chamado Nosferatu – O Vampiro da Noite, dirigida por Werner Herzog, tão boa quanto o original.

A sombra do vampiro

 

16 comentários Adicione o seu

  1. Laércio disse:

    Eu só assisti a refilmagem, e durante muitos anos pensei que tinha assistido o original!

  2. Jéssica disse:

    Fantástico, absolutamente. foi o filme que fez com que eu me apaixonasse pelo cinema mudo.

  3. Cian disse:

    Me descobri gay e pervertido graças ao Schreck, com sua manicure estonteante, pele suava de massa corrida, corpo esguio, olhos apaixonados, orelhas delicadas e principalmente os notáveis, deliciosos movimentos felinos (estilo Church do Pet Sematary, evidentemente)!

    Cara Jéssica, convenhamos que o adorável e insano Murnau é a geratriz das descobertas alheias!

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