38 – A Noiva de Frankenstein (1935)


The Bride of Frankenstein


1935 / EUA / P&B / 75 min / Direção: James Whale / Roteiro: William Hurlbult, John Baldeston (baseado nos personagens de Mary Shelley) / Produção: Carl Laemmle Jr. / Elenco: Boris Karloff, Colin Clive, Valerie Hobson, Ernest Thesiger, Elsa Lanchester


 

Levou quatro anos para que a Universal conseguisse convencer o diretor James Whale a dirigir a continuação de sua obra prima, Frankenstein. Relutante, ele só topou embarcar em A Noiva de Frankenstein se tivesse controle irrestrito sobre o projeto, algo que só foi possível graças as férias do produtor Carl Laemme Jr. na Europa durante as filmagens do longa.

Por muitos, A Noiva de Frankenstein é superior ao original, muito devido ao toque de Whale e a já afinidade de Karloff com o personagem, que volta mais uma vez como a criatura incompreendida, em busca de uma parceira para por fim a sua miserável solidão. O resultado é uma mistura de horror com comédia e a criação de uma nova criatura visualmente tão impactante quanto o monstro original, dando origem a uma personagem feminina icônica para o cinema de horror, mesmo com sua breve aparição na tela.

Quase uma tragédia grega, o pathos do monstro de Frankenstein nos é contado pela própria criadora do personagem, Mary Shelley (interpretada por Elsa Lanchester, que também faz o papel da noiva), que logo no começo da fita, em uma noite de tempestade, reunida com Lorde Byron e seu marido Percey Bysshe Shelley, narra a história de como a criatura sobreviveu logo após ter sido caçada e encurralada no moinho incendiado imediatamente ao final do primeiro filme.

Henry Frankenstein sobrevive e pretende deixar toda sua insanidade de lado e viver uma vida pacífica com sua assustada esposa Elizabeth, quando entra em cena um afetado Dr. Pretorius, que está bitolado com a ideia de continuar a criar vida e precisa da ajuda do Dr. Frankenstein para gerar uma mulher para o monstro, e assim, abominando todas as leis de Deus, fazer com que o casal procrie e dê à luz a uma nova raça, firmando assim o domínio do homem sobre a vida.

Pô, ninguém me ama. Quero uma namorada!

Nesse ínterim, o monstro continua vagando pelos bosques, perseguido como um animal e praticando assassinato apenas como forma de sobreviver dos terríveis maus tratos e da repressão causada pelos outros humanos. É um anti-herói, produto do meio hostil que vive, angustiado e perturbado que acaba por conhecer a amizade e o conforto na figura de um solitário aldeão cego, que abriga a criatura, cuidando de seus ferimentos, ensinando-lhe a beber vinho, fumar cigarro, apreciar música, falar e claro, alguns bons e velhos valores cristãos.

Mas isso de nada vale quando ele volta a ser caçado ao ser encontrado pelos homens do vilarejo, trazendo de volta seus instintos violentos e tornando-se uma marionete nas mãos de Pretorius, obrigando seu criador a ajudar o cartunesco vilão a criar a sua esposa. A cena em que os “noivos” se encontram é das mais comoventes, já que ela o rejeita à primeira vista, devido a sua grotesca aparência.

A ideia do monstro articular palavras traz A Noiva de Frankenstein mais próximo do conto original de Mary Shelley. Mas mesmo assim, Karloff foi um opositor ferrenho da ideia de humanizar a criatura e que ela pudesse falar. E as falas do monstro no final das contas acabaram sendo um dos pontos que puxa para o lado burlesco e teatral da direção de Whale  e a  mistura de tons que ele imprime na produção. Prova disse são os diálogos debilóides da Karloff com o aldeão cego: “Amigo, bom. Sozinho, ruim”, e por aí vai.

Não obstante, Whale descarrega mais do ar cômico na personagem Minnie, interpretada por Una O’Connor (como já havia explorado anteriormente em O Homem Invisível) , a exagerada e desmiolada empregada dos Frankensteins, e no próprio Dr. Pretorius, com sua estapafúrdia coleção de seres humanos em miniatura que vivem dentro de jarros (!!!???). Em contrapartida, os momentos de horror são acentuados pelas mortes causadas pelo monstro em maior profusão que o primeiro filme (mesmo com 15 minutos de cenas agressivas protagonizadas por Karloffo cortados por Whale, para manter a mensagem do cristão sofredor). Junta-se tudo isso a maquiagem de Jack Pierce melhor do que nunca e a mais uma vez a brilhante atuação de Karloff do maltrapilho e cabeçudo monstro, e temos um clássico eterno!

She’s alive!!!

12 comentários Adicione o seu

  1. lucianaminuzzi disse:

    Republicou isso em Luminuzzidadese comentado:
    Filme do dia. 🙂

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