190 – As Profecias do Dr. Terror (1965)

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Dr. Terror’s House of Horrors

1965 / Reino Unido / 98 min / Direção: Freddie Francis / Roteiro: Milton Subotsky / Produção: Milton Subotsky, Max J. Rosenberg, Joe Vegoda (Produtor Executivo) / Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Roy Castle, Max Adrian, Ann Bell, Michael Gough, Donald Sutherland, Phoebe Nicholls, Ilsa Blair

 

As Profecias do Dr. Terror é aquele tipo de filme mosaico delicioso que traz antologias de terror com diversas histórias fantástica envolvendo personagens díspares, interligados por um fio locutor. E esse fio locutor é ninguém menos que Peter Cushing, que encarna o Dr. Terror do título.

Obra da produtora inglesa independente Amicus, baseada em Shepperton, que ficou famosa exatamente por esse estilo de filme portmanteau, inspirado originalmente por Na Solidão da Noite do Eraling Studios, que teve início com As Profecias do Dr. Terror e seguiu-se com As Torturas do Dr. DiáboloA Casa que Pingava Sangue, Contos do Além (o Contos da Cripta original, que inspirou a série da HBO), Asilo Sinistro, A Cripta dos Sonhos, Vozes do Além e O Clube dos Monstros, sempre estrelados por grandes atores do gênero como o próprio Peter Cushing, Christopher Lee, Vincent Price, John Carradine, David Pleasence, Jack Palance, entre outros.

Aqui, emprestados da Hammer, Cushing e Lee contracenam sob a direção de Freddie Francs, também vindo do irmão inglês mais famoso, tendo realizado o filme O Monstro de Frankenstein no ano anterior para o estúdio. Cushing é o Dr. W. R. Shreck (que em alemão significa terror), um misterioso homem que embarca na mesma cabine de um trem com outros cinco estranhos, e lê seus destinos através das cartas do tarô, sendo que todos eles, indefectivelmente, estão fadados a vivenciar situações aterradoras e sobrenaturais, sempre com a última carta tirado do baralho representando a morte.

Escolha uma carta. Qualquer carta.
Escolha uma carta. Qualquer carta.

Nisso, vamos conhecer cinco histórias incrivelmente divertidas e envolventes, abusando de roteiros fantásticos. O primeiro segmento, Werewolf, traz o ator Jim Dawson como protagonista, vivendo o papel de Neil McCallum, proeminente arquiteto que viaja para uma ilha na Escócia, chamado para dar dicas de reforma para a velha Sra. Biddulph, que comprou a casa em que ele viveu na infância. E nesta residência há uma antiga maldição, onde o Conde Cosmo Valdemar, um lobisomem, havia sido morto por seu avó e enterrado na propriedade, não antes de lançar uma maldição e jurar que voltaria para se vingar do último descendente dos Dawsons, que seria enterrado em seu ataúde para trazê-lo de volta à vida, fazendo com que ele descubra que sua vida corre grande perigo naquela casa.

Quando você pensa que já viu de tudo no cinema de horror, eis que a segunda história, Creeping Vine, traz uma trepadeira assassina. Isso mesmo, uma trepadeira assassina!!! Bill Rogers (Allan Freeman) volta com a família de férias e encontra uma estranha e sinistra trepadeira que cresceu na parede do jardim da sua casa. Ao tentar removê-la, ele descobre que ela é parcialmente indestrutível, dotada de inteligência e ainda por cima possui tendências assassinas, matando o cachorro da família e o botânico ao qual eles pedem ajuda, confinando a família em casa enquanto cresce de forma descontrolada. Segundo um dos especialistas, esse é um passo à frente das plantas para conseguir sobreviver. Uma evolução mortal que poderia acabar com a humanidade como conhecemos.

O terceiro segmento, Voodoo, com um toque cômico, traz o trompetista e músico Biff Bailey (Roy Castle) que aceita uma gig nas Antilhas e resolve roubar dos nativos uma canção vodu que ouviu durante uma cerimônia para um deus enfurecido. Mesmo com todas as indicações dos nativos para não performar o som, ele toca no clube de jazz que se apresenta regularmente quando volta à Londres, e isso desencadeia uma série de bizarros acontecimentos que culminam na visita de um feiticeiro vodu a Bailey, a fim de retomar e dar um cabo da composição. A banda de apoio de Bailey no filme é o Tubby Hayes Quintet, uma famosa banda de jazz contemporânea britânica na época. Quem toca o trompete é na verdade o trompetista Shake Keane, dublado pelo ator Roy Castle em cena, que substituiu o ator Acker Bilk, que sofreu um ataque cardíaco pouco antes das filmagens começarem.

Quer uma mãozinha?
Quer uma mãozinha?

A quarta história, protagonizada por Lee como um esnobe crítico de arte e chamada Disembodied Hand, é a melhor das cinco antologias. Franklyn Marsh adora devastar artistas com suas mordazes críticas e sua petulância exacerbada, até que é humilhado pelo pintor Eric Landor, vivido por Michael Gough (de Horrores do Museu Negro). Isso começa a complicar a vida social e profissional de Marsh, pois Landor sempre fica em sua cola atormentando-o, e para dar um basta nisso, Marsh resolve atropelá-lo tarde da noite ao sair da galeria. Como consequência, o pintor perde uma das mãos amputadas no acidente, e como nunca mais poderia pintar, ele se suicida. Apesar do destino trágico, Marsh fica imensamente aliviado e começa a colocar sua vida de volta nos eixos, até que passa a ser assombrado e caçado pela indestrutível mão amputada de Landor em busca de vingança. Esse segmento deve ter servido de inspiração para o filme A Mão com Michael Cane, lembra?

Por fim, o quinto conto, Vampire traz o jovem Donald Sutherland como o Dr. Bob Carroll, recém-casado com a francesa Nicole, que retornam para viver na sua casa nos EUA. Mas logo, começam a surgir evidências que ele se casou com uma vampira que está se alimentando do sangue das crianças da cidade (e talvez desse relacionamento ele tenha tido o filho vampiro de Garotos Perdidos, hein?). Ele e seu colega de profissão Dr. Blake precisam arrumar um jeito de destruir a criatura das trevas, mas na verdade, os motivos do médico não são tão benevolentes quando imaginamos.

Aterrorizados pelo terrível destino de cada um, os viajantes então descobrem no ato final a verdadeira e macabra identidade do Dr. Schreck. Com um orçamento de 105 mil libras, o script escrito por Milton Subotsky, começou como a ideia de uma série de televisão, ainda em 1948, quando Na Solidão da Noite era um lançamento recente. Segundo o roteirista, As Profecias do Dr. Terror foi desenvolvido para ser o “o melhor filme de terror de todos os tempos”. Não é para tanto, mas sem dúvida é um ótimo entretenimento para os fãs do gênero.

Puro osso!
Puro osso!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de As Profecias do Dr. Terror não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.

8 comentários Adicione o seu

  1. Roderick Verden disse:

    O filme, realmente, é ótimo. O vi , nos anos 90, em vídeo cassete, alugado de uma locadora. Além da grandeza de Cushing, Lee também estava ótimo, interpretando um sujeitinho grosso e esnobe, como vc mesmo disse. E a cara dele no final, quando o trem chega na estação…rs(era pura preocupação, como se estivesse pensando: estou perdido!)rs. A vampira , que contracena com Donald Sutherland, é linda!

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