307 – O Massacre da Serra Elétrica (1974)

The Texas Chainsaw Massacre

1974 / EUA / 83 min / Direção: Tobe Hooper / Roteiro: Kim Henkel, Tobe Hooper / Produção: Tobe Hooper, Jay Parsley (Produtor Executivo), Kim Henkel, Richard Saenz (Produtores Associados) / Elenco: Marilyn Burns, Gunnar Hansen, Edwin Neal, Allen Danziger

 

O Massacre da Serra Elétrica de Tobe Hooper é o filme independente de terror definitivo. Outro daqueles que entra em qualquer lista que se preze dos melhores do gênero em toda a história do cinema. Além disso, talvez seja a mais notável e brutal produção da excelente safra surgida nos anos 70.

Baseado na história real do famoso serial-killer Ed Gein (que também inspirou Psicose e O Silêncio dos Inocentes), o filme já começa fazendo questão de deixar bem claro para o espectador que foi um dos crimes mais macabros cometidos na história dos EUA. Isso narrado por um desconhecido John Larroquete até então. Com uma mixaria de orçamento nas mãos, o talento de Hooper realmente toma conta da situação, entregando uma fita crua, filmada em tom de documentário, o que consegue nos passar uma assustadora noção de realidade. Não há quase trilha sonora (apenas barulhos pontuais, grunhidos e o roncar da motosserra), os ângulos foram extremamente bem planejados para os takes (para exatamente suprir a falta de recursos), a saturação da cor, o jogo de luz e sombra, e a cenografia, tudo muito bem executado por um proeminente novo diretor que injetou sangue novo no cinema de terror e entregou uma verdadeira obra prima.

E esse choque de realidade é um dos principais motivos pelo qual O Massacre da Serra Elétrica é tão assustador. Não há uma garotinha possuída por demônios. Não há vampiros, zumbis ou monstros criados em laboratório. Há uma família completamente desequilibrada de canibais, que exuma cadáveres do cemitério, vivendo em uma cidade decadente do sul americano, à míngua após a falência do matadouro local. O mais notável membro dessa família é um homem com problemas mentais que costura a pele de suas vítimas e faz máscaras com seus rostos escalpelados. Por mais que seja exagerado, não é tão ficcional assim. Ed Gein que nos diga. É um soco no estômago de uma sociedade que é capaz de criar monstros como aquele. É jogar na latrina e dar descarga todos os valores morais e a instituição da família e ver como o modo de vida fora dos subúrbios pode ser deturpado e caótico.

Cinco jovens de classe média, sendo que um deles é aleijado (vai colocar isso em um filme hoje em dia para ver se o politicamente correto não cai matando de pau em você) vão para uma cidadezinha no Texas preocupados que a recente onda de roubo de cadáveres do cemitério local tenha violado o sono eterno de seu avô. Após constarem que está tudo OK, resolvem visitar a antiga casa onde cresceram Sally e seu irmão Franklin (o paraplégico). Durante o caminho eles dão carona para o sujeito mais afetado das redondezas (atuação verossímil até demais de Edwin Neal), que os ataca dentro do furgão, e mal eles sabem que a partir dali estavam desencadeando uma série de eventos que os levariam até o covil de Leatherface (Gunnar Hansen), pai dos assassinos de filmes slasher, e o resto de sua família, digamos, disfuncional (incluindo o mesmo carona).

Leatherface e seu inseparável brinquedinho

É cruelmente perturbador e extremamente angustiante. Sabe, falar qualquer coisa de O Massacre da Serra Elétrica é meio que chover no molhado. Foi censurado e proibido em vários países como Inglaterra, Alemanha, Finlândia, Suécia e até aqui no Brasil da Ditadura Militar. A primeira vez que Leatherface aparece em cena é uma das cenas mais chocantes do cinema. Enquanto um dos jovens investiga a casa, o vilão surge de trás de uma porta dando uma marretada violenta e certeira no rapaz que cai com o corpo estrebuchando no chão. Garanto que quem vê essa cena da primeira vez nunca mais irá esquecer. Ou então quando a garota é pendurada em um gancho suspenso na parede para sangrar sobre um balde de metal, como se fosse um animal no abate, sem a menor piedade para com outro ser humano. Apesar de até então o cinema ter nos proporcionado grandes vilões, como Norman Bates e o Dr. Phibes, nenhum foi tão carniceiro quanto Leatherface.

Fora que o quarteto de atores da família canibal, incluindo o pai e o avô mumificado que mais parece um vampiro, estão muito bem em seus papeis e até certo ponto dá para duvidar se estão atuando mesmo ou se eles realmente são daquele jeito. A atriz Marilyn Burns que interpreta Sally, tornou-se a mais histérica Scream Queen do cinema. E porra, como essa menina grita! Sua atuação é brilhante. E tudo isso isso graças a maneira de filmagem de Hooper, que vai elevando o nível de tensão até beirar o insuportável na cena final do “jantar”, onde em super close-ups de rostos, bocas e olhos arregalados a ponto de mostrar as veias, entre gritos e risadas de histeria, vai levando o espectador à loucura conforme a garota prisioneira vai sendo hostilizada pela família.

O Massacre custo 150 mil dólares e faturou 100 milhões ao redor do mundo, fora o status de cult e exibição até no Festival de Cannes. Uma pena que Hooper nunca mais acertaria a mão de novo em toda sua carreira. Começando com a própria sequência do filme, que foi um desastre, passando por Poltergeist – O Fenômeno onde apenas seguiu o cabresto de Steven Spielberg e depois as inúmeras bombas que vem fazendo até hoje.

Em 2003, O Massacre da Serra Elétrica ganhou uma refilmagem decente pela Platinum Dunes, produtora de Michael Bay (é de desacreditar né?), Andrew Form e Brad Fuller, que mais tarde se tornaria a produtora responsável pelos remakes de filmes clássicos de terror, de A Morte Pede Carona até A Hora do Pesadelo. Com a direção de Marcus Nispel, tem Jessica Biel e R. Lee Ermey no elenco. Vale conferir para ver a modernização do clássico em uma nova linguagem para o público do século XXI. Não decepciona, mas o original é insuperável. Dez anos depois, em 2013, mais uma refilmagem, ou continuação direta deste original aqui, filmado e 3D. Passe longe que é uma bomba sem tamanho (eu mesmo não aguentei ver até o final).

Adivinhe quem vem para o jantar?

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de O Massacre da Serra Elétrica aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.

47 comentários Adicione o seu

  1. Paulão Geovanão disse:

    Esse também teve um “ìnicio” contando a origem da família de canibais

  2. augusto disse:

    ótimo sit

  3. Andrew Rodrigues disse:

    Infelizmente o link não funciona, poderiam disponibilizar novamente?

    1. Marcos Brolia disse:

      Devido a nova política editorial do blog, não estamos mais disponibilizando links para download!

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