729 – Session 9 (2001)

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Session 9


2001 / EUA / 100 min / Direção: Brad Anderson / Roteiro: Brad Anderson, Stephen Gevedon / Produção: Dorothy Aufiero, David Collins, Michael Williams; John Sloss (Produtor Executivo) / Elenco: David Caruso, Stephen Gevedon, Paul Guilfoyle, Josh Lucas, Peter Mullan


Session 9 é um dos melhores filmes de terror do começo do século passado e um dos mais subestimados, que não chegou nem a ter um lançamento comercial no Brasil e nem título em português ele recebeu. Sorte que lá pelos meados dos anos 2000 podíamos assistir essas maravilhas renegadas baixando-as no emule.

A clássica história de um hospital psiquiátrico abandonado e manifestações sobrenaturais com certeza tem o seu nível em escala elevado no longa do diretor Brad Anderson, que serviu para catapultar sua carreira, instável no cinema, mas que depois contou com o magnânimo O Operário e o credenciou a participar das antologias televisivas Masters of Horror e Fear Itself, além de várias séries de TV, como Fringe, Boardwalk Empire, Person of Interest e Zoo.

Fato é que toda atmosfera de Session 9 é propícia para um ótimo filme e ele não te desaponta ao não entregar os simples clichês típicos desse tipo de produção. Aliás, não vemos um fantasma uma única vez. Pense num filme de fantasmas, sem fantasmas! E mais, é um filme de possessão, a bem da verdade, mais igualmente sem as armadilhas tacanhas do subgênero. E também nunca apela para o jump scare e pratica o bom e velho terror psicológico à moda antiga.

Walter e Jesse?
Walter e Jesse?

Um grupo de trabalhadores são contratados para retirar todo o amianto do abandonado Hospital Psiquiátrico Danvers State, que segundo os motivos oficiais, foi fechado devido ao corte de verba lá nos anos 80, mas havia uma péssima fama do local tanto em relação aos métodos utilizados em suas dependências, quanto escândalos que envolveram a filha de um importante figurão que, por meio de sessões de regressão, disse que fora violentada pelo pai e seus familiares faziam parte de uma seita satânica, algo beeeem em voga nos 80’s. Mas foi descoberto em um teste que a moça era virgem.

O líder do time é o atormentado Gordon (Peter Mullan) cuja esposa acabou de ter um filho e ele está passando por um baita estresse traumático sem a menor fibra para aguentar a paternidade, junto de problemas financeiros. Ele estipula um prazo insano de uma semana para o término do trabalho só para conseguir o contrato e ainda tentar um bônus. Em sua equipe está seu encarregado, Phil (David Caruso), Hank (Josh Lucas), que praticamente roubou a mulher de Phil, Mike (Stephen Gevedon), que tem pais advogados bem sucedidos, mas largou os estudos e Jeff (Brendan Sexton III), sobrinho inexperiente de Gordon.

Como diz Phil em determinado momento “a coisa vai ficar feia”, quando Gordon parece perder a sanidade pouco a pouco, por conta de acontecimentos, digamos, trágicos em casa. Hank desaparece misteriosamente, o trabalho passa a degringolar e Mike descobre uma caixa de gravações, pela qual fica obcecado, com nove sessões de regressões de uma paciente chamada Mary Hobbs, que sofre de esquizofrenia e múltiplas personalidades, internada por esfaquear seu irmão mais velho em um Natal. ´

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ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Dentre as personalidade de Mary, há um tal de Simon, que sempre está dormindo e nunca se revela. Mas quando o faz, no final da fita, meu amigo e amiga, é aí que Session 9 fica ainda mais fantástico exatamente por abordar a sua maligna e pesada influência nos fracos e feridos, onde ele vive. E descobrimos que o responsável pelos assassinatos na equipe de trabalho é na verdade o próprio Gordon, que acabou perdendo a cabeça, manipulado por essa presença do mal, logo na primeira cena que eles visitam o hospital condenado, e o faz matar sua esposa e bebê, além de atacar seus demais funcionários.

Toda a atmosfera tétrica do Danvers State ajuda demais o andamento do filme, uma vez que praticamente todas as filmagens foram feitas dentro do local, em uma área delimitada que não representasse perigo para a equipe. A ideia do filme surgiu exatamente por Brad Anderson passar todo dia de carro na frente do hospital abandonado. Isso, misturado a aura independente do começo dos 00’s, fotografia sóbria de Uta Briesewtiz, as atuações todas na medida certa, a música de Climax Golden Twins, o tom certo, sem exageros e o excelente trabalho de efeitos sonoros com as diferentes vozes das múltiplas personalidades de Mary Hobbs gravadas nas fitas das sessões psiquiátricas.

Session 9 nunca ter a sorte de ser lançado no Brasil, nem em DVD, é uma daqueles várias graves injustiças acometidas por muitos filmes de terror, que espero que um dia seja corrigida e que ele consiga ser conhecido por um público maior, pois de verdade, é um baita filmaço e está na lista dos melhores daqueles anos.

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