Lendas tupiniquins em As Fábulas Negras

As Fábulas Negras é uma antologia extremamente bem executada e que em nada fica devendo as produções estrangeiras em termos de enredo ou estética.


Nesse último final de semana, rolou em São Paulo o Festival Boca do Inferno II, um evento realizado pelo maior site de terror do Brasil, e que trouxe gratuitamente para o público vários curtas e longas metragens, nacionais e estrangeiros. É chover no molhado dizer o quanto esses eventos agregam para os fãs do gênero, e é sempre uma grata recompensa rever os amigos e conhecer algumas obras bem bacanas.

Dentre elas, uma antologia que me chamou a atenção e foi muito bem recebida pelo público foi As Fábulas Negras. Cinco curtas dirigidos pelos maiores expoentes do cinema de horror nacional integram o filme, ligados por um fio condutor: quatro garotinhos estão brincando numa floresta e, entre lutas de espada feitas com paus e máscaras de super heróis costuradas em casa, começam a tentar assustar uns aos outros contando causos populares bem assustadores.

3
Desculpe pela sujeira.

A primeira história é “O Monstro do Esgoto”, dirigida pelo diretor capixaba Rodrigo Aragão, o idealizador do projeto, e conta a história de uma criatura carnívora que habita os encanamentos de esgoto de uma cidadezinha modesta, que já enfrenta muitos problemas vindos de uma má administração pública e sofre na mão de um prefeito inescrupuloso que caga e anda (desculpe, foi inevitável) para as necessidades da população.

4
Vira, vira Lobisomem… ♪

A segunda, “Pampa feroz”, é dirigida pelo catarinense Petter Baiestorf, e nos mostra um lobisomem que anda atacando e dizimando um bando de capangas que trabalham para um coronel linha dura. Entre maquiagens e efeitos extremamente bem feitos e cenas de suspense e ciúme, descobrir a identidade da criatura é um reviravolta bastante interessante, um desfecho bem inesperado (NE: e que está em uma das transformações de lobisomem mais bacanas e nojentas que já vi!)

5
Tô de olho no sinhô!

Já “O Saci” é uma história contada pelo mestre do cinema nacional, José Mojica Marins, que mesmo com a idade avançada mostra que não perdeu a mão na direção e conta o causo de uma garota brejeira que se vê perseguida por esse ícone do nosso folclore (o saci, não o Zé do Caixão, tá?). Mojica, aliás, também atua nesse segmento, dando vida a um personagem que jamais imaginaríamos que ele interpretaria. Sensacional!

6
Fica shiu aí no seu canto.

O paulistano Joel Caetano é o responsável por “A Loira do Banheiro”, um curta bem intenso que narra de forma criativa e inovadora essa lenda que assombra vários cantos do país. Como o próprio diretor comentou na sessão para os presentes, as influências vão desde o cinema oriental (por mostrar espíritos vingativos) até o gooooooore italiano (Lucio Fulci fazendo escola), o que resulta em cenas bem gráficas e violentas. Além disso, ele tentou criar uma história original baseado em muitas variações da lenda da moça, que percorre os banheiros das escolhas brasileiras.

7
Não gostaria de entrar e tomar uma xícara de sangue?

O quinto e último segmento, “A casa de Iara” é o fio condutor que une todas as histórias. Os moleques na floresta decidem parar numa casa que outrora foi habitada por uma mulher que, traída pelo marido, faz vingança com as próprias mãos. Decididos a dar um susto num dos garotos, o mais desconfiado e cético, eles o trancafiam na casa agora abandonada, o que resulta num desfecho bem bacana e condizente com o restante do filme.

Mesmo com um orçamento bem baixo, os diretores burlam alguns obstáculos e conseguem entregar uma obra de qualidade. As Fábulas Negras é uma antologia extremamente bem executada e que em nada fica devendo ás produções estrangeiras em termos de enredo ou estética, surpreende pela qualidade dos efeitos especiais de Rodrigo Aragão, o Tom Savini de terras brazilis, além de ser a prova de que o horror nacional ainda vive e pode ser genuinamente brazuca, tal e qual os personagens apresentados na obra.

3 Causos assustadores para Fábulas Negras

2
Avengers tupiniquins.

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