774 – Marebito – Seres Estranhos (2004)

Marebito / The Stranger from Afar


2004 / Japão / 92 min / Direção: Takashi Shimizu / Roteiro: Chiaki Konaka (baseado em seu livro) / Produção: Mikihiko Hirata, Kenzô Horikoshi, Atsuko Ohno; Tsukasa Ariyoshi, Takashi Ikezaki, Hiroo Murakami, Fumio Sebata (Produtores Associados) / Elenco: Shinya Tsukamoto, Tomomi Miyashita, Kazuhiro Nakahara, Miho Ninagawa, Shun Sugata


De volta a “quase” interminável lista dos 1001 filmes de terror. Ano sai, ano entra, e estamos aí na atividade. 😀

Takashi Shimizu é aquele nome do cinema japonês que sempre despertou interesse dos fãs do horror em geral e principalmente do J-Horror. Apesar de ter entrado em decadência e sumido, como o próprio gênero (vídeo o recente péssimo Voo 7500), naquele boom do terror oriental da década passada ele foi responsável por alguns de seus melhores exemplares, como o Ju-On – o Grito.

Marebito – Seres Estranhos é um dos seus longas mais interessantes, gravado em oito dias entre a produção de Ju-On e de seu remake americano, O Grito. Esquisito, hermético e cabeçudo ao extremo. Daquele tipo de cinema perturbador, o qual os japas são experts, que afugenta o público mainstream por seu avanço lento e climático, toda sua atmosfera tétrica em uma complexa trama sobre o medo, obsessão e a degeneração humana, que evita explicações faceiras.

Marebito é uma palavra japonesa que significa “a vinda de um estrangeiro que é celebrado como um deus”. Na trama, Masuoka (Shinya Tuskamoto, diretor de Tetsuo: O Homem de Ferro e que viveu o inesquecível Jijii em Ichi – O Assassino) é um cinegrafista que ao filmar um homem cometendo suicídio em uma estação de metrô de Tóquio, fica intrigado em conhecer a verdadeira essência do medo, tal qual aquele sujeito presenciou antes de enfiar uma faca dentro do próprio olho.

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Tomou?

Tentando descobrir o que havia assustado tanto o homem aquele ponto, e obcecado no mesmo genuíno sentimento de pavor, Masuoka desce até uma série de túneis abandonados pelo subterrâneo da capital japonesa e acaba encontrando uma entrada para uma misteriosa caverna, uma espécie de passagem para outro plano existencial, onde se depara com uma garota nua acorrentada (Tomoi Miyashita).

O cameraman leva a figura feminina primitiva, a quem passa a chamar apenas de F, para seu apartamento e passa a trata-la como seu bicho de estimação, limpando e tentando lhe dar comida, que é recusado. Não demora em descobrir que o tal “ser estranho” é na verdade uma espécie de vampira, que se alimenta apenas de sangue. No começo ele passa a oferecer gatos e outros animais mortos para ela, mas conforme sua obsessão e paixão pela criatura passam a aumentar, ele vai colecionando vítimas para poder alimentá-la. Bizarríssimo é pouco!

Marebito é baseado no livro de Chiaki Konaka, que também assina o roteiro do longa, onde nada é devidamente explicado e tudo fica subentendido, gerando uma imensa sensação de incômodo. Ninguém sabe ao certo o que é na verdade F, sua origem, os devaneios de Masuoka, a aparição constante do senhor morto no metrô e tudo mais. Esse desconforto é escorado pela história lúgubre, sua narrativa cadenciada e minimalista e trilha sonora pontuada, onde vamos acompanhando o intimista declínio moral e psicológico do personagem, aos moldes de um típico filme artsy com o pé na excentricidade oriental.

Um filme perturbador e que incomoda ao extremo, Marebito – Seres Estranhos é daquelas gemas raras do J-Horror, bizarro e sufocante, mostrando todo o potencial de Shimizu como diretor, e que aviso de antemão, vai desagradar em cheio aqueles que curtem o horror mainstream, os blockbusters e que curtem – e até delimitam –o cinema de terror apenas como “fábrica de jumpscare”.

marebito.jpg
Sede de sangue

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Onde acho esse filme e as legendas? Tá difícil!

    1. Marcos Brolia disse:

      Acho que no Pirate Bay você deve achar! Não?

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