Nas páginas, ninguém ouvirá você gritar!

Novelização oficial de Alien, por Alan Dean Foster, lançado pela Editora Aleph, é leitura obrigatória para os fãs do xenomorfo.


Alien – O Oitavo Passageiro de Ridley Scott é um dos mais importantes filmes de ficção científica de todos os tempos, responsável até hoje pela mais bem executada amálgama entre o gênero e o terror, por criar uma sensação de claustrofobia, sujeira e angústia no espaço, seminal pela criação da criatura xenomorfa, monstro parecido com algo oriundo de um pesadelo febril, maquinal e orgânico ao mesmo tempo, e responsável por criar toda uma franquia de filmes, e mais que isso, uma mitologia.

O monstro, desenhado por H.R.  Giger e criado por Dan O’Bannon e Ronald Shusset tornou-se um personagem transmídia. Ele saiu das telas para botar seus ovos e parasitas em jogos de videogame, RPG, HQs e livros. E falando em livro, no final de ano passado, a Editora Aleph lançou nas livrarias brasileiras a novelização de Alien, escrita por Alan Dean Foster, em uma edição daquelas para colecionador e fãs da barata espacial nenhum botar defeito.

Eu sou bem imparcial com relação ao Alien, pois quem me conhece sabe como eu sou vidrado na criatura, na franquia e tudo que o envolva (mas não a ponto de defender Alien  – A Ressurreição, só para constar). Então seria impossível não gostar do livro, que apesar de trazer a mesma história que conhecemos nas telas, oferece algumas informações adicionais, que ficam só no subtexto no longa, como um fundamental complemento, e que joga um pouco de luz sobre os corredores frios, desgastados e assustadores do cargueiro espacial Nostromo.

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Livro de cabeceira da cápsula hiperbárica

A trama você já conhece de cor e salteado: A nave, composta por sete tripulantes da classe operária, recebe um sinal de socorro de um inóspito planeta que os tira do estado de animação suspensa e interrompe sua volta à terra para que a tripulação investigue o sinal, que supostamente parte de uma forma de vida orgânica, algo de valioso interesse da Companhia, aqui ainda não batizada como Weiland-Yutani. Depois de um pouso desastroso na atmosfera e geologia árdua do planeta, três tripulantes, o capitão Dallas, a navegadora Lambert e o primeiro imediato, Kane, saem para investigar a origem do sinal e se deparam com uma colossal nave abandonada.

Claro que o livro, por mais rico em detalhes, não substitui a impressionante experiência visual do filme de Ridley Scott. Automaticamente na sua cabeça as imagens captadas por sua lente, com o design único de Giger e arte conceitual de Moebius, saltam em nossa frente. Porém, entre os pontos em que o livro de Foster se destaca com relação a sua contraparte cinematográfica, é exatamente os capítulos em que se passa essa exploração espacial no planeta desolado, até encontrarem a nave e a descida de Kane a um compartimento subterrâneo, onde se depara com os ovos de couro do alienígena, que expele o facehugger, um dos estágios evolutivos do xenomorfo, que se afixa em seu rosto, injetando o parasita em sua garganta e alojando-o em seu estômago.

Eles retornam a nave, junto da tenente Ripley, dos mecânicos Parker e Brett e do oficial de ciências, Ash, que viola os protocolos de segurança e quarentena deixando Kane, e os demais, entrar com a criatura à bordo. Bem, não é novidade que a próxima evolução do monstro, o chestbuster, irá irromper do peito de Kane durante um jantar (outra passagem que em palavras se perde comparada ao impacto visceral da cena de cinema) e dar origem ao alienígena da forma que o conhecemos, que passa a caçar um por um dos tripulantes, indefesos contra aquela máquina de matar perfeita e virtualmente indestrutível.

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Interessante na novelização é o clima de paranoia, pessimismo e estresse que surge aos tripulantes, e como são explorados detalhes científicos e biológicos do monstro e as minúcias e do comportamento de Ash, que depois se monstra um androide, assim como sua relação principalmente com Dallas e depois com Ripley, que desconfiam das atitudes do sintético (sem saber que ele é um) até ser revelado o terrível segredo da companhia, que sabia a origem do sinal, na verdade um aviso e não um SOS, por conta de sondas espaciais lançadas para vasculhar o universo, e como a tripulação da Nostromo, desde o começo, fora escolhida para se deparar “coincidentemente” com a forma alienígena e leva-la a bordo, economizando milhões em uma expedição de exploração e com a ajuda de Ash, passar pela alfândega com a criatura.

Para os fãs da mitologia e, digamos, “universo expandido” de Alien, a leitura é interessantíssima, e até mesmo obrigatória, mesmo perdendo não só visualmente, mas em questões de sensação de claustrofobia, de desolação e de terror que o filme inspira. E como um ótimo bônus, o livro traz ainda duas entrevistas, uma com Sigourney Weaver, que deu vida à icônica personagem Ellen Ripley e com o diretor Ridley Scott, em 1984 para Danny Peary, publicada originalmente na revista Films and Filming, e ainda nota do autor Alan Dean Foster exclusiva para a edição brasileira.

Agora é torcer para a editora, que vem tratando muito bem os fãs de ficção científica e horror no Brasil, também lance a novelização dos outros dois filmes, Aliens – O Resgate e Alien 3, também escritas por Foster.

Ficha técnica:

Allan Dean Foster – Alien – 1979
Tradução: Henrique Guerra
Lançamento no Brasil – 2015
Editora Aleph

 

 

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Henrique disse:

    Cara, achei esse livro fraquíssimo. Como fã incondicional do primeiro Alien eu fui correndo comprar assim que saiu, mas fiquei decepcionado. Esse tal de Alan Dean Foster é medíocre demais, incapaz de criar uma atmosfera de medo e tensão. Tem diálogos inacreditavelmente ruins, risíveis. Nas mãos de um escritor competente, uma história dessas renderia um livro fantástico. Uma pena! Pelo menos as entrevistas com a Sigourney Weaver e o Ridley Scott são realmente interessantes.

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