Review 2016: #23 – Do Outro Lado da Porta

Um caso já previsto de ideia interessante jogada em um poço de mediocridade


Fracassos do tipo já são tão comuns, que se tornou desnecessário assistir aos filmes para saber o quão ruim eles serão. Por pouco não fiz uma crítica cega de Do Outro Lado da Porta, com o simples objetivo de comparar a opinião pré-concebida com a presente crítica. Confesso que teria acertado absolutamente tudo!

A premissa do filme é relativamente interessante: um casal se muda para a Índia, onde pretendem criar seus filhos que ainda estavam por nascer. Após alguns anos no país, uma tragédia toma a vida do primogênito, deixando a família em frangalhos. A mãe, interpretada por Sarah Wayne Callies, a Lori Grimes, de The Walking Dead, incapaz de lidar com a perda, pela qual se sente responsável, tenta se matar tomando um pote de pílulas para dormir.

Convenientemente, o pote cai da mão dela quando o marido se aproxima e este imediatamente percebe a situação, socorrendo a esposa em tempo. No hospital, uma pessoa local conta a ela sobre a existência de um templo espiritual-antigo-ancestral-mágico-sombrio-underground-perigoso-desconhecido-cabuloso, no qual é possível conversar com os mortos através de uma porta, com a única condição de nunca abrir a tal porta.

The-Other-Side-of-the-Door
Porta dos desesperados!

Adivinha só o que a infeliz da personagem faz? Exatamente! É comum brincarmos com a idiotice dos personagens em filmes de terror, mas até que não é o caso aqui. É o comportamento esperado de uma mãe em luto.

O início do filme se desenvolve de maneira até interessante, introduzindo esse mundo mágico oriundo da cultura indiana e que aparentemente ofereceria um alento ao banalizado fantasma japonês. Considerando a imensidão cultural que a Ásia tem a oferecer, esta era uma oportunidade de trazer para um contexto hollywoodiano, aspectos sobrenaturais novos e talvez até revigorantes ao gênero. Mas isso seria pedir demais, né?

Toda e qualquer possibilidade de exercer a tal da criatividade se perde em meio as fórmulas mais batidas que o cinema de horror já viu. Os sustos são previsíveis e pouco criativos, além de serem acompanhados de efeitos sonoros ensurdecedores. Cada cena de aparição de espírito, seja alguém abrindo a boca demais numa demonstração estapafúrdia de CGI, ou alguma figura nefasta parada atrás de alguém, é revelada como uma alucinação ao sonho, minando qualquer senso de tensão que poderia ser criado.

O próprio universo do filme é confuso e desconexo. O espírito que volta do mundo dos mortos é maligno, mas age por pura conveniência do roteiro. Não há qualquer coerência por trás de suas ações. Porém ele não é o único espírito atormentando a família, pois há também uma espécie de entidade guardiã de quatro braços (a única coisa interessante no filme).

Moleque fantasma genérico
Moleque fantasma genérico

Ou seria ela um demônio? O que ela quer? A tentativa de criar algo minimamente interessante e embasado resulta em bagunça que não se sustenta. É ainda engraçado notar que, mesmo passando anos e anos vivendo na Índia, ninguém fala hindí ou qualquer outra língua do país. A bem da verdade, os indianos são raros no longa, como se isso fizesse qualquer sentido.

Cinematograficamente, o filme é ordinário (não no sentido empregado pelo Cumpadi Washington). É tudo tão sem brilho e sem méritos, feito seguindo as regrinhas do livro de como fazer cinema, que nem sequer é possível odiá-lo. Este, assim como tantos outros filmes que compartilham dessa mesma estética patética, cairá no mais completo esquecimento em apenas alguns meses.

Confesso que, enquanto escrevo essa crítica, já tenho dificuldades em me lembrar de cenas do filme e até mesmo de qual filme estou falando! Seria este O Culto? Ou Assim na Terra Como no Inferno? Ah, já sei, é Renascida do Inferno! Não? Do Outro Lado da Porta? Certeza? Alguém por favor, refresque minha memória!

1.5 indianos para Filme Genérico Cujo Nome Não Lembro

Nem quero ver esse filme!
Nem quero ver esse filme!

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Pedro disse:

    Bom dia, Dead. Não tiro sua razão quando diz que o filme é clichê em sua maioria, mas acho que tem alguns méritos. Já faz um tempo que não vejo filmes de terror por conta disso.
    Na minha opinião deveriam mostrar os aghori de forma mais macabra, e o mesmo com a tal entidade Myrthus.
    Mesmo assim consegui ficar atento a trama. Nota 6.

    1. Dead Dans disse:

      Pedro, obrigado pelo comentário! Concordo que esses elementos que você citou são interessantes, mas a forma com que foram apresentados foi muito fraca. Eu com certeza teria aproveitado o filme mais se estes tivessem sido utilizados de forma mais interessante dentro do filme.

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