HQRROR #12 – Vigor Mortis Comics

 

Quebre a perna! Ou o pescoço…


Criada em 1997 por Paulo Biscaia, a companhia artística Vigor Mortis surgiu com a proposta de explorar as possibilidades estéticas desenvolvidas pelo teatro de horror parisiense Grand Guignol. Tendo muitas peças que ressoavam no universo da arte sequencial, parecia óbvio para a companhia dar o próximo passo e adentrar com suas histórias e personagens na narrativa dos quadrinhos. Apropriando-se de criaturas que tiveram seu primeiro lampejo de vida nos palcos, os quadrinhistas José Aguiar e DW Ribatski, juntamente de Biscaia, nos trouxeram a Vigor Mortis Comics.

A HQ é composta por oito história. Uma coisa que chama a atenção é como elas podem ser divididas em dois grupos. No primeiro, temos histórias que seguem de modo individual, não tendo nenhuma relação com as demais.

Em “Corra Cataléptico, corra” seguimos a frenética história de um homem tentando evitar que um engano mate um inocente. Com “Freddy in Wonderland” temos uma narrativa tarantinesca, onde um advogado, fugido da máfia italiana, encontra refúgio junto de um grupo de prostitutas. Mais tarde, “Ursula Unchained” mostra uma atriz pornô sequestrada por um fã. Por fim, em “Wanda encontra o Homem do Saco” uma vampira policial investiga o desaparecimento de crianças de ruas.

Vigor-Mortis-Comics-página-3No segundo grupo de histórias, temos roteiros interligados, que se complementam e enriquecem as narrativas um do outro. A série é aberta por “Oswaldo Apaixonado”, que nos conta o tragicômico desfecho da história amorosa de um zumbi (à la Nekromantik), que busca sua reintegração social. O protagonista dessa história é um personagem criado por Ana Argento e essa, por sua vez, é uma personagem que participa da história “O morto e a Sombra” e protagoniza “A revanche do morto”. Com “A sombria morte do Homem Sombra” vemos todas as narrativas menores, desenvolvidas dentro dos roteiros anteriores, sendo trabalhadas. Isso faz com que seja possível enxergar essas quatros histórias finais como uma grande e única narrativa.

As ilustrações são todas muito bem trabalhadas em tons de branco, preto, cinza e vermelho. Através de enquadramentos singulares, Aguiar e Ribatski dão a toada necessária para que cada história tenha seu próprio ritmo. Em “Corra Cataléptico, corra” os quadros são posicionados de modo a forçar a velocidade da narrativa, fazendo com quase seja possível sentir o desespero do protagonista em alcançar seu objetivo.

Outra história que merece destaque nesse sentido é “Ursula Unchained”, que trabalha com vários pequenos quadros fechados que vem se expandindo em tamanho e diminuindo em quantidade, criando uma atmosfera intimista e causando surpresa em seu desfecho.

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Bacana ver que, mesmo se tratando de uma adaptação de histórias que foram desenvolvidas para os palcos do teatro, não é necessário que você tenha tido qualquer contado anterior com os trabalhos da companhia Vigor Mortis para compreender a HQ.

Trabalhando como muitos baldes de sangue e cabeças decepadas, Vigor Mortis Comics abusa do conhecimento de seu público-leitor e agradará os fãs de todas as diferentes mídias por onde o terror se manifesta.

Ficha técnica:

Vigor Mortis Comics – 2011

Roteiro: José Aguiar e Paulo Biscaia Filho

Desenhos: José Aguiar e DW Ribatski

Editora: Zarabatana Books
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